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sábado, novembro 10, 2012

Eu sofri preconceito religioso

              Em uma instituição de ensino, haverá um projeto sobre a cultura afro brasileira e com isso as suas religiões. Não nego a ninguém a minha admiração pela cultura negra, pois sou uma negra (branca com cabelos afro), filha da miscigenação racial: Pai negro (africano e índio) candomblecista, mãe branca (Português e índio) católica, além de muitos outras da minha família serem de espírita a evangélicos.  Adoro a minha descendência, admiro a minha mistura de valores, e isso fez em minha uma pessoa sem preconceitos, aponto até como uma de minhas melhores qualidades.
            Então vendo alguns vídeos sobre a cultura afro e suas religiões, adentra na sala uma professora evangélica que me descriminou, e citando partes bíblicas abomina tudo isso, eu rebati dizendo que a gente deve respeitar a adversidade, ela disse que respeita sim, mas eles vão para o inferno. Isso foi o inicio de uma confusão, onde me chamaram a atenção sobre como era que se “deve” trabalhar como professora. Ora, eu estou fora dos padrões de ensino?  Bem me taxaram, me repudiaram apenas por religião, antigamente a gente usava o caráter para medir valores, hoje é a religião. E ainda falaram de minha vida pessoal, como se o fato da religião correspondesse na mesma medida da minha vida cotidiana: religião duvidosa (na mente deles), vida também duvidosa. Fiquei decepcionada não por mim, podem falar não me importo. Mas o que eu vivi vai muito mais além do que um simples preconceito, o que aconteceu foi uma “castração cultural”, o aluno só pode conhecer aquilo que o professor quer mostrar, não o que a profissão de educador promete: Conhecer o mundo. E quem sai perdendo são as crianças, que não conheceram as muitas possibilidades, as muitas religiões, as muitas culturas, e acima de tudo não se conheceram, pois será que em uma sala de aula todos os alunos são iguais? Estamos formando apenas mais um igual?
            Não estou tentando impor religião nenhuma, e nem tão pouco deveria, mas não acho justo impor a minha “religião” para os alunos. Cabe a cada um acreditar no que acham certo, é uma questão de fé, por isso não se deve discutir e sim respeitar a individualidade de cada. As liberdades de expressão e de culto são asseguradas pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela Constituição Federal, é lei!
Caros professores não castrem os seus alunos, deem a eles a oportunidade de que muitos não tiveram de conhecer o mundo e suas adversidades sem preconceitos, não queiram apenas que seus alunos sejam o seu reflexo, por que o que fica para o futuro são apenas os valores, e são os valores que formam o caráter do futuro adulto.
Bem, o constrangimento que passei, demonstrou apenas ignorância pela nossa cultura brasileira e ainda mais o quanto nós estamos ainda envolto a valores europeus, e de que precisamos não de armas e sim de tolerância, para poder aceitar o outro pelo que ele é, e não pelo o que você quer que ele seja.
Não espero mudanças nem apoio no que estou apontando aqui no texto, espero apenas dividir uma experiência, e saber que mesmo não podendo mudar eu estou expondo um fato talvez desconhecido para muitos, mas que aconteceu aqui no Brasil, no estado da Paraíba e na minha cidade Solânea.
Djanira Meneses
Estudante da UEPB - Guarabira

sábado, agosto 18, 2012

Universidade



Universidade um universo existente dentro do seu eu.
Um universo de sonhos
De planos. De dores. De raças. De estilos.
Um universo de amores.
Conhecer o outro e se reconhecer no outro.
Compreender que compartilhar e se doar sem nada pedir.
Trazer um universo de ideias pra dentro de si.
E enfim perceber que o universo só existe em amplidão, por causa de você.
E você existe pra preencher o universo de outro e assim completar-se.
Somos igualmente desiguais no que nos faz: humanos, pessoas, irmãos.
Somos o que fazemos nossos atos, somos o fato consumado.
Temos menos do que merecemos, e mais do que quando nascemos.
E para completar temos que nos juntar.
Porque para voar temos que está lado a lado.
Juntos e partilhando, fazendo e refazendo,
Esse universo que se estende, Do livro para a mente.
Um universo de andarilhos que cruzam a estrada em busca de conhecimento.
Fazendo do ônibus a casa, dos conhecidos a família.
Do desespero a força, da dor a causa.
Da fome o lanche, da sala o refugio.
E do professor o amigo.
Muitas vezes querido, muitas vezes incompreendido, mas sempre presente, mesmo na ausência.
Somos a massa que move o universo e que se renova a cada período, e que se liberta a cada formatura.
Que vive uma incessante loucura de ser um universo dentro de si, e ser em si um universo de valores.
Somos a luta diária pela vida, somos o grito da existência.
Somos a doação, somos a superação.
Somos a festa do encontro.
E somos enfim um universo de sonhos!
De planos. De dores. De raças. De estilos.
Um universo de amores.

Djanira Meneses

quinta-feira, julho 05, 2012

Descobrindo o meu mundo…


Acordo, olho para o relógio são 2:30 da madrugada, senti um vazio no peito, olhei ao meu redor e percebi que o vazio do peito era apenas reflexo de minha vida vazia. Amigos tenho muito, mas não sinto falta deles, aproveito os momentos que passo junto, me divertindo jogando palavras pro ar e gastando o tempo… Tomei a decisão a muito tempo atrás de não precisar de mais ninguém para ser feliz, decidi por mim mesma, decidi ser feliz sozinha… e sou! Mas ao olhar o meu vazio, no peito percebo que eu sempre quis algo que eu mesma não posso me dar, quero uma coisa que não sei o que é, mais que necessito. Vou até a cozinha de luz apagada mesmo, meus pés conhecem os caminho de minha casa, pois varias vezes me guiaram por entre os movéis, por entre a mesinha de centro francesa que comprei em uma liquidação e que hoje parece que aqui em casa ganhou vida propria, vive perseguindo meus pés para eu cair… Chego na cozinha vazia, pego um copo vazio mas limpo, gosto de casa arrumada, como se estivesse sempre esperando receber uma visita que nunca chega. Abro uma garrafa de vinho e decido comemorar a minha solidão, o primeiro gole tem gosto de vitória me noto vazia mais com grandes realizações, conquistei um bom emprego, consigo me manter viva e bem vestida… No segundo gole as coisas vão tomando um novo rumo… O vazio que esta lá dentro saiu, e tudo ficou mais claro. Caminho no escuro da cozinha para a sala, e vou usar a mesinha de centro francesa pra colocar a minha garrafa de vinho barato, ligo o rádio, etá tocando uma musica romanticamente triste… Me envolvo na musica, começo balaçando os dedos depois a cabeça, por fim estou dançando sozinha com um copo na mão em plena quarta-feira, esqueço que amanha terei que levantar as 6:30 para ir trabalhar… Mas me lembro do meu sentimento vazio, e olho para o sofá e noto a minha bolsa aberta e dentro dela o meu celular, que está me chamando para fazer uma ligação pego-o, olho a hora, e penso: Quem irá me atender as 3:00 horas da manha? Dou uma gargalhada sozinha, e começo a ficar egocêntrica por que nesse instante o mundo começa a girar ao meu redor, noto a minha vida repleta de tedio e olhando a garrafa de vinho barata, me indentifico. Sou uma garrafa de vinho na metade: Nem tão cheia que você possa guardar, nem vazia por ser apreciada, apenas na metade… Então assumo a minha solidão com cabeça erguida, Pego o copo, dou o meu ultimo gole e vou para a minha cama, sabendo que a vida é feita de momentos e amanha quando acordar vou ser mais eu do que nunca, porque assumi uma parte de mim que a muito gritava… Quero companhia, não alguem para conviver comigo, mas para viver a vida comigo, aproveitando dos melhores momentos, Vou colocar o meu melhor batom vermelho e ir trabalhar e vou sorrir para o primeiro desconhecido gato que passar por mim e assim vou levar mais um dia, e vou a cada dia mais descobrindo um pouco sobre mim.

Que tudo seja leve...


Que tudo seja festa, que tudo seja cores...
Que enfeito o mundo de beleza,
Que tire de mim as dores...