Em uma instituição de ensino, haverá um projeto
sobre a cultura afro brasileira e com isso as suas religiões. Não nego a
ninguém a minha admiração pela cultura negra, pois sou uma negra (branca com
cabelos afro), filha da miscigenação racial: Pai negro (africano e
índio) candomblecista, mãe branca (Português e índio) católica, além de muitos
outras da minha família serem de espírita a evangélicos. Adoro a minha descendência, admiro a minha
mistura de valores, e isso fez em minha uma pessoa sem preconceitos, aponto até
como uma de minhas melhores qualidades.
Então
vendo alguns vídeos sobre a cultura afro e suas religiões, adentra na sala uma
professora evangélica que me descriminou, e citando partes bíblicas abomina
tudo isso, eu rebati dizendo que a gente deve respeitar a adversidade, ela
disse que respeita sim, mas eles vão para o inferno. Isso foi o inicio de uma
confusão, onde me chamaram a atenção sobre como era que se “deve” trabalhar
como professora. Ora, eu estou fora dos padrões de ensino? Bem me taxaram, me repudiaram apenas por
religião, antigamente a gente usava o caráter para medir valores, hoje é a
religião. E ainda falaram de minha vida pessoal, como se o fato da religião
correspondesse na mesma medida da minha vida cotidiana: religião duvidosa (na
mente deles), vida também duvidosa. Fiquei decepcionada não por mim, podem
falar não me importo. Mas o que eu vivi vai muito mais além do que um simples
preconceito, o que aconteceu foi uma “castração cultural”, o aluno só pode
conhecer aquilo que o professor quer mostrar, não o que a profissão de educador
promete: Conhecer o mundo. E quem sai perdendo são as crianças, que não
conheceram as muitas possibilidades, as muitas religiões, as muitas culturas, e
acima de tudo não se conheceram, pois será que em uma sala de aula todos os
alunos são iguais? Estamos formando apenas mais um igual?
Não
estou tentando impor religião nenhuma, e nem tão pouco deveria, mas não acho
justo impor a minha “religião” para os alunos. Cabe a cada um acreditar no que
acham certo, é uma questão de fé, por isso não se deve discutir e sim respeitar
a individualidade de cada. As liberdades
de expressão e de culto são asseguradas pela Declaração Universal dos Direitos
Humanos e pela Constituição Federal, é lei!
Caros professores não
castrem os seus alunos, deem a eles a oportunidade de que muitos não tiveram de
conhecer o mundo e suas adversidades sem preconceitos, não queiram apenas que
seus alunos sejam o seu reflexo, por que o que fica para o futuro são apenas os
valores, e são os valores que formam o caráter do futuro adulto.
Bem, o constrangimento que
passei, demonstrou apenas ignorância pela nossa cultura brasileira e ainda mais
o quanto nós estamos ainda envolto a valores europeus, e de que precisamos não
de armas e sim de tolerância, para poder aceitar o outro pelo que ele é, e não
pelo o que você quer que ele seja.
Não espero mudanças nem
apoio no que estou apontando aqui no texto, espero apenas dividir uma
experiência, e saber que mesmo não podendo mudar eu estou expondo um fato
talvez desconhecido para muitos, mas que aconteceu aqui no Brasil, no estado da
Paraíba e na minha cidade Solânea.
Djanira MenesesEstudante da UEPB - Guarabira